Sábado, Fevereiro 07, 2009
Quem falou que nois só sabe namora e dança!!!!
Milonga do meu assado
(Mauro Morais)
Milonga toda proseada, moldada pro meu rebanho
Me tira uns troços do olhos que eu posso cantar chorando
Milonga solta das patas, repara como eu te levo
Compreenda as coisas que escrevo nos ventos do teu inverno
Milonga me dá um aparte, o mate deixa que eu faço
Na vida dos teus arreios o freio põe no cavalo
Não falta tempo pro fogo nem gosto que te censure
O campo é nossa família ainda que eu não procure
Ai! Milonga que de mim não sai
Milongueiro vai pelos teus acordes
Refazendo o lote, e se for a trote
Milonga, milonguita pega o meu violão!
Milonga boa de alma a charla tá como eu gosto
Na baia de alguns matungos o mundo que enterre os ossos
Milonga pó de poesia, um dia ensaco os gatos
E toco toda a ninhada nas brasas do meu assado
Domingo, Novembro 16, 2008
Estanpa Domingueira
Alex Silveira/Luiz marenco
Linda minha estampa domingueira
Quando chego no povoado
Trago além da minha fronteira
Uma sina musiqueira
De quem vem contrabandeando.
Bueno este potro de rendilha
Num trancão de pisa-flor
De uma pelagem tordilha
Traz a origem da tropilha
Pela mão do domador.
Chego, já na frente da janela
De um ranchito bem cuidado
Assoviando algo pra ela
Que esta copla tão singela
Eu compus pro teu agrado.
Olhos de pealar um coração
Na minha vida tão pequena
Do aguapé de um lagoão
Trago a flor do meu rincão
Pra o cabelo da morena.
Pra estância que vou cantando uma tirana
Mas eu sei que vou voltar
Que passe logo a semana
Pois deixei pra queromana
Meu pala pra ela guardar.
Quinta-feira, Outubro 30, 2008
Esta foto é por saudade de um Gateado!!
Abraços amigos !!
Porque Choram As Nazarenas
Marcelo Oliveira
Composição: Letra: Zé Renato Daudt e Matheus Neves da Fontoura Música: Marcelo Oliveira
Conheço a balda do poto, feito as cismas que carrego
Num par de estrelas de ferro nos papagaios da espora
Pois compreendi campo a fora por que choram as nazarenas
Refletem todas as penas duma condena de outrora
Neste par de estrelas bugras há uma calvário de espinho
Onde as rosetas são ninhos pros lamentos de um domero
Que sabe a dor de um parceiro que teve o couro riscado
No repechar compassado dos rituais garroneiros.
Nazarenas campo afora chora porque é preciso
Uma ausência de sorriso, um pranto na voz do vento
Que a mágoa do teu lamento, pro domero é uma sentença
De Cristo vem sua crença, da doma vem seu sustento
Não há quem corte um cavalo que não se sinta cortado
Que esqueça a cruz do pecado no silêncio da oração
De joelho frente ao galpão, altar sagrado do campo,
Ao desatar tento e grampo feito quem pede perdão.
Não foi a toa o batismo ,chamarem de nazarena
Ao que impõe a condena a um livre por seu caminho
Pois são coroas de espinho, rosetas, pontas de grampo
E lembram espinhos santos que Cristo agüentou sozinho